Uveíte em Crianças: O Guia Completo sobre Diagnóstico e Tratamento Especializado
- Dr. Ever Rodriguez

- 11 de jan.
- 5 min de leitura
A Uveíte em Crianças é uma condição inflamatória intraocular potencialmente grave, responsável por uma parcela significativa de casos de baixa visão e cegueira evitável na infância. Apesar de menos frequente do que em adultos, a Uveíte Pediátrica costuma ter evolução silenciosa, diagnóstico tardio e maior risco de complicações visuais permanentes quando não tratada de forma adequada e precoce.
Este artigo reúne informações atualizadas, baseadas em evidências científicas, para esclarecer pais, cuidadores e profissionais de saúde sobre causas, sintomas, Diagnóstico e Tratamento da Uveíte em Crianças, reforçando a importância do acompanhamento especializado.

O que é a Uveíte em Crianças?
A Uveíte Pediátrica refere-se à inflamação do trato uveal (íris, corpo ciliar e coroide) em pacientes com idade inferior a 16 anos. Na população pediátrica, a epidemiologia revela que a incidência da Uveítes varia entre 4,3 a 6 casos por 100.000 crianças, apresentando desafios diagnósticos únicos devido à natureza frequentemente assintomática das formas crônicas.
Classificação Anatômica da Inflamação
Dependendo da localização da inflamação, a Uveíte pode ser classificada em:
Uveíte Anterior: A forma mais comum em crianças, frequentemente associada à Artrite Idiopática Juvenil (AIJ).
Uveíte Intermediária: Focada no corpo ciliar e periferia da retina.
Uveíte Posterior: Acomente a Retina e Coroide. Geralmente de origem infecciosa, como a toxoplasmose.
Pan-uveíte: Quando todas as estruturas estão acometidas.
A inflamação ocular crônica pode comprometer o desenvolvimento visual normal, especialmente em fases críticas da infância, tornando o diagnóstico precoce fundamental.
Por que a Uveíte em Crianças é tão preocupante?
Diferentemente dos adultos, muitas crianças não relatam sintomas claros, o que faz com que a doença seja diagnosticada apenas quando já existem complicações.
Estudos mostram que até 50% das crianças com uveíte apresentam sequelas visuais ao longo do seguimento, como catarata, glaucoma secundário, edema macular e ambliopia.
Além disso, a uveíte pediátrica frequentemente está associada a doenças sistêmicas, exigindo uma abordagem multidisciplinar.
Principais causas da Uveíte em Crianças
1. Uveítes não Infecciosas (as mais frequentes)
Artrite Idiopática Juvenil (AIJ): Principal causa de Uveíte Anterior Crônica na infância
Doenças autoimunes e inflamatórias: Doença de Behçet, Sarcoidose, Doença Inflamatória Intestinal e Vasculite de Retina.
Uveíte idiopática (sem causa identificável)
2. Uveítes infecciosas
Parasitas: Toxoplasmose (muito comum), Toxocaríase.
Vírus: Herpes simplex (HSV), Citomegalovírus (CMV), Vírus Epstein-Barr (EBV), Vírus Varicela-Zóster (VZV).
Bactérias: Doença da arranhadura do gato (Bartonella), Tuberculose (TB)
A identificação correta da etiologia é essencial, pois o tratamento varia significativamente conforme a causa.
Sinais de Alerta da Uveíte em Crianças: Quando Suspeitar?
A natureza assintomáticos da Uveíte em Crianças exige atenção redobrada dos pais e Pediatras. Os sintomas podem incluir:
Leucocoria: Reflexo pupilar branco (em casos avançados de catarata ou exsudação).
Estrabismo súbito: O desvio ocular pode ser o primeiro sinal de baixa visão.
Fotofobia e lacrimejamento: Sensibilidade excessiva à luz.
Queixas de "moscas volantes": Pontos escuros na visão (comum em uveítes posteriores).
📌Importante: Crianças com diagnóstico de Artrite Idiopática Juvenil devem realizar exames Oftalmologicos periodicamente, mesmo sem sintomas oculares, devido ao alto risco de Uveíte Assintomática.
Como é feito o diagnóstico da Uveíte Pediátrica?
O diagnóstico da Uveíte em Crianças exige avaliação com Oftalmologista Especialista em Uveítes e Inflamações Oculares, incluindo:
Exame Oftalmológico completo com Lâmpada de Fenda
Mapeamento de Retina (Fundoscopia): Essencial para avaliar a Retina e Nérvo Óptico e detectar focos infecciosos ou inflamatórios na parte posterior.
Exames de imagem:
OCT (Tomografia de Coerência Óptica): Uma tecnologia de última geração que fornece cortes anatômicos da retina em nível microscópico. É a ferramenta principal para o diagnóstico e acompanhamento do edema macular citóide, uma das principais causas de perda visual na uveíte.
Retinografia Digital: Documentação fotográfica de alta resolução do fundo do olho. É indispensável para monitorar a evolução de focos inflamatórios na retina e no nervo óptico, permitindo uma comparação precisa entre consultas sucessivas.
Angiofluoresceinografia (AFG): Este exame utiliza um contraste especial para avaliar a integridade dos vasos sanguíneos da Retina. Na Uveíte em Crianças, é essencial para detectar vasculites, áreas de isquemia e o extravasamento de fluido (leakage), que sinalizam atividade inflamatória mesmo quando o exame clínico parece normal.
Exames laboratoriais direcionados
Avaliação conjunta com Reumatologia, Infectologia ou Pediatria, quando indicado
O objetivo é confirmar a inflamação, classificar o tipo de Uveíte e identificar sua causa.
Tratamento da Uveíte em Crianças: Abordagem Moderna e Individualizada
O tratamento da Uveíte Pediátrica deve ser precoce, agressivo quando necessário e baseado em evidências científicas, visando controlar a inflamação e prevenir sequelas visuais como catarata e glaucoma secundário. O tratamento é estritamente personalizado, dependendo se a causa é autoimune (não infecciosa) ou causada por agentes externos (infecciosa).
Manejo de Uveítes Infecciosas (Agentes Anti-infecciosos)
Em casos onde a inflamação é desencadeada por patógenos infecciosos, o tratamento foca na erradicação do agente causador conforme detalhado em estudos de uveíte posterior pediátrica. (Ocular Immunology and Inflammation, 2023):
Parasitas:
Toxoplasmose: Causa mais comum de uveíte posterior infecciosa, tratada com a combinação de Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico (Esquema Tríplice) ou Sulfametoxazol-Trimetoprim (SMX-TMP)
Toxocaríase: Exige abordagem com anti-helmínticos (como o albendazol) e controle rigoroso da inflamação secundária.
Vírus:
O tratamento envolve antivirais sistêmicos ou intravítreos (Aciclovir, Ganciclovir ou Valaciclovir) para combater:
Herpes Simplex (HSV) e Varicela-Zóster (VZV).
Citomegalovírus (CMV) e Vírus Epstein-Barr (EBV).
Bactérias:
Doença da Arranhadura do Gato (Bartonella): Tratada com antibióticos específicos (como Azitromicina ou Doxiciclina).
Tuberculose (TB): Exige o esquema terapêutico clássico (RIPE) em conjunto com infectologistas.
Manejo de Uveítes Não Infecciosas
Tratamento anti-inflamatório
Corticosteroides: Uso tópico, perioculares ou sistêmico para controle rápido de crises agudas, sempre com monitoramento rigoroso da pressão intraocular.
Imunomoduladores Convencionais (Poupadores de Corticoide)
Quando o uso de colírios ou corticoides sistêmicos não é suficiente ou causas efeitos adversos, utilizamos medicamentos para modular o sistema imunológico a longo prazo:
Metotrexato: Frequentemente a primeira linha de tratamento devido à sua eficácia comprovada em uveítes associadas à Artrite Idiopática Juvenil (AIJ).
Azatioprina e Micofenolato: Alternativas potentes para o controle de inflamações crônicas e recidivantes.
Para casos complexos ou refratários, utilizamos anticorpos monoclonais que bloqueiam proteínas inflamatórias específicas:
Agentes Anti-TNF (ex: Adalimumabe, Infliximabe): Revolucionaram o prognóstico visual, especialmente em uveítes não infecciosas graves.
Agentes Anti-IL-6 (ex: Tocilizumabe): Utilizados em casos específicos onde outras terapias falharam, agindo diretamente na cascata inflamatória da interleucina-6.
O seguimento prolongado é essencial, pois a uveíte pode apresentar recidivas ao longo da infância e adolescência.
Complicações e Prognóstico da Uveíte em Crianças
A demora no tratamento da Uveíte Pediátrica pode levar a sequelas graves. O monitoramento constante é necessário para identificar:
Edema Macular Cistóide: Principal causa de baixa visão central.
Glaucoma Secundário a Uveíte: Decorrente tanto da inflamação quanto do tratamento.
Ambliopia: Resultante da privação visual durante o período crítico de desenvolvimento cerebral.
📊 Estudos recentes demonstram que a detecção precoce e o uso de terapias biológicas modernas reduziram drasticamente as taxas de cegueira legal nas últimas duas décadas.
EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento da Uveíte em Crianças
Na Clínica EYECO Oftalmologia, somos referência nacional no Diagnóstico e Tratamento da Uveíte Pediátrica. Nosso corpo clínico reúne especialistas reconhecidos internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos.
Nossa equipe é liderado pelo Dr. Ever, Referência Nacional no Diagnóstico e Tratamento da Uveíte Pediátrica na Clínica EYECO em São Paulo/SP
Oferecemos:
Protocolos baseados em evidências: Alinhados com as diretrizes das sociedades internacionais de uveíte.
Tecnologias modernas: Equipamentos de Retinografia, Angiofluoresceinografia e OCT (Tomografia de Coerência Óptica) de última geração para monitoramento preciso da retina e coroide.
Acompanhamento personalizado: Cuidado humanizado e multidisciplinar focado nas necessidades específicas da criança e suporte à família.
Responsável: Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376
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