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GLAUCOMA E UVEÍTE: O QUE VOCÊ PRECISA SABER?

  • Foto do escritor: Dr. Ever Rodriguez
    Dr. Ever Rodriguez
  • 3 de jun. de 2024
  • 8 min de leitura

Embora o Glaucoma e Uveítes sejam condições oftalmológicas distintas, a intersecção entre elas representa um dos maiores desafios na prática clínica. Quando a inflamação ocular (Uveíte) desencadeia o aumento da pressão intraocular, surge o Glaucoma Uveítico, uma condição complexa que exige diagnóstico preciso e manejo especializado para evitar a perda irreversível da visão.


Neste artigo, você entenderá como Glaucoma e Uveítes se relacionam, seus sintomas, causas, diagnóstico e as melhores opções de tratamento baseadas em evidências científicas.


COMO A UVEÍTE PODE CAUSAR O GLAUCOMA?
GLAUCOMA E UVEÍTE: QUANDO A PRESSÃO E A INFLAMAÇÃO ACENDEM O ALERTA

O QUE É GLAUCOMA?

O Glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva caracterizada por alterações estruturais típicas do nervo óptico e perda correspondente de células ganglionares da retina [Weinreb, R. N. et al., 2014], geralmente associado ao aumento da pressão intraocular (PIO)


caracterizada pelo dano ao nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular (PIO). Sem o tratamento adequado, o paciente sofre uma perda gradual do campo visual periférico que pode evoluir para a cegueira total. De acordo com o World Report on Vision da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Glaucoma consolidou-se como a principal causa de cegueira irreversível no mundo.


Imagem ilustrativa das diferenças entre Olhos normais e com Glaucoma
Comparação entre Olho Normal e Olho com Glaucoma

O QUE É UVEÍTE?

A Uveíte refere-se a um grupo complexo de inflamações intraoculares que afetam a úvea, a camada média vascular do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coroide [Duplechain A. et al., 2026]. Suas causas são multifatoriais, classificadas em infecciosas como os vírus da família Herpesviridae, a bactéria da sífilis (Treponema pallidum) ou o parasita da toxoplasmose e não infecciosas, frequentemente associadas a doenças autoimunes e reumatológicas (como a espondilite anquilosante e a artrite reumatoide), além de etiologias traumáticas ou idiopáticas [Guly, C. M., & Forrester, J. V. 2010].


Os sintomas incluem:

  • Olho vermelho (hiperemia ciliar) e dor ocular profunda.

  • Fotofobia acentuada (extrema sensibilidade à luz causada pelo espasmo do esfíncter da íris).

  • Visão embaçada ou turva (decorrente do acúmulo de células inflamatórias no humor aquoso ou vítreo).


 Uveíte anterior aguda com hipópio
Uveíte Anterior com hipópio


COMO A UVEÍTE PODE CAUSAR O GLAUCOMA?

O desenvolvimento do Glaucoma secundário à Uveíte conhecido clinicamente como Glaucoma Uveítico ocorre por meio de mecanismos fisiopatológicos distintos que, isolados ou em conjunto, resultam na elevação perigosa da Pressão intraocular (PIO):

  1. Obstrução Inflamatória (Bloqueio Celular): 

    Durante a crise de Uveíte, o olho produz células inflamatórias, proteínas e fibrina (debris). Esse material denso acaba "entupindo" a malha trabecular (área responsável pela drenagem do fluido ocular), impedindo o escoamento do humor aquoso [Siddique S. et al., 2013].

  2. Dano Estrutural: 

    A inflamação crônica e não tratada é altamente destrutiva. Ela provoca a formação de cicatrizes internas conhecidas como sinéquias. Essas aderências podem colar a íris (parte colorida do olho) ao cristalino ou à córnea, bloqueando fisicamente a circulação do fluido e fechando permanentemente o ângulo de drenagem, o que exige intervenção imediata [Siddique S. et al., 2013].

  3. Resposta aos Corticosteroides:

    O pilar do tratamento para combater a inflamação da uveíte é o uso de corticoides. O grande desafio clínico é que uma parcela significativa da população possui predisposição genética para ser "respondedora a corticoide". Nesses pacientes, o próprio medicamento altera a resistência ao escoamento do fluido na malha trabecular, gerando o chamado glaucoma cortisônico [Kersey & Broadway, 2006],  elevando a pressão ocular significativamente.

📌Evidências Científicas: Estudos indicam que cerca de 20% a 25% dos pacientes com Uveíte crônica desenvolverão Glaucoma secundário ao longo da vida [Kalogeropoulos D. & Sung V. 2018], tornando o acompanhamento oftalmológico especializado fundamental para preservar a visão.


SINAIS E SINTOMAS: QUANDO A INFLAMAÇÃO E A PRESSÃO SE ENCONTRAM

Diferente do Glaucoma Primário que costuma ser silencioso e assintomático em suas fases iniciais, o Glaucoma Uveítico frequentemente se manifesta através de sinais clínicos agudos. A literatura médica destaca que o reconhecimento imediato desses sintomas é o fator determinante para preservar o nervo óptico e evitar a perda visual irreversível [Siddique S. et al., 2013].


Fique atento aos seguintes sinais que indicam a coexistência de inflamação e hipertensão ocular:

  • Olho Vermelho (Hiperemia): Uma vermelhidão persistente, geralmente ao redor da córnea (hiperemia ciliar), que não melhora com o uso de colírios lubrificantes.

  • Visão Turva ou Embaçada: Frequentemente causada pelo edema de córnea decorrente da alta pressão ou pelo acúmulo de células inflamatórias no humor aquoso.

  • Dor Ocular e Cefaleia: Dores profundas no globo ocular que podem se estender para a cabeça, muitas vezes acompanhadas de náuseas, indicando um pico súbito de pressão intraocular.

  • Fotofobia Acentuada: Uma sensibilidade extrema à luz, característica marcante de processos inflamatórios intraoculares.

  • Percepção de Halos Coloridos: Visualização de círculos coloridos ao redor de luzes, um sinal clássico de que a córnea está sofrendo com a pressão elevada.

  • Moscas Volantes (Myodesopsia): Manchas ou pontos flutuantes na visão, que podem indicar a presença de debris inflamatórios ou exsudatos no humor vítreo. [Maghsoudlou P. et al., 2025]


📌Nota de Especialista: Esses sintomas podem variar em gravidade de acordo com a causa da Uveíte. O diagnóstico precoce é o único caminho para interromper o dano ao nervo óptico. Se você apresenta um ou mais desses sinais, a avaliação por Oftalmologista Especialista em Uveítes e Glaucoma deve ser imediata.


Certas condições clínicas apresentam uma associação mais agressiva com o aumento da pressão ocular [Siddique S. et al., 2013]. Abaixo, detalhamos as principais condições que exigem monitoramento rigoroso:


1. Iridociclite Heterocrômica de Fuchs

  • Caracterizada por uma inflamação crônica e leve, mudança de cor da íris (heterocromia), desenvolvimento precoce de Catarata e Glaucoma.

  • Geralmente afeta apenas um olho e, diferentemente de outras uveítes, não responde bem aos corticosteroides. O controle da pressão frequentemente exige intervenção cirúrgica [Siddique S. et al., 2013].


Iridociclite Heterocrômica de Fuchs no Olho esquerdo
Iridociclite de Fuchs no Olho Esquerdo com Heterocrômia e Catarata.

2. Síndrome de Posner-Schlossman (Crise Glaucomatociclítica)

  • Apresenta ataques agudos e recorrentes de inflamação ocular leve, com aumentos significativos da pressão intraocular [Lee S. et al., 2025].

  • Tratamento: Durante as crises, a abordagem envolve o uso rápido de corticosteroides tópicos associados a medicamentos hipotensores (colírios para baixar a pressão) para proteger o nervo óptico, se associado a CMV é necesario iniciar tratamento antiviral [Megaw R. etl., 2016].


3. Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) com Uveítes Anterior

  • Causa comum de Uveíte em crianças, frequentemente levando a Glaucoma induzido pela inflamação e pelo uso prolongado de corticosteróides.

  • Manejo Multidisciplinar: O sucesso terapêutico exige o controle rigoroso da doença de base (AIJ) em parceria estreita com o Reumatologista pediátrico [Onel, K.B. et al., 2022].

  • Abordagem Oftalmológica: O manejo inicial envolve o uso estratégico de colírios corticoides e hipotensores para frear a inflamação e baixar a pressão. No entanto, em casos refratários com a Pressão Intraocular (PIO) persistentemente elevada, a intervenção cirúrgica torna-se necesaria para salvar a visão. As opções avançadas incluem goniotomia, trabeculectomia ou o uso de implantes de drenagem (válvulas) [Siddique S. et al., 2013].

  • A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica que pode causar sérias complicações, como a Uveíte anterior aguda (UAA). Esta inflamação ocular, presente em até 50% dos pacientes com EA, é frequentemente associada ao HLA-B27 [Kopplin L. et al., 2016].

  • A Uveíte Associada ao HLA-B27 pode levar a sintomas como Dor Ocular Intensa, Hiperemia (Olho Vermelho), Fotofobia e visão turva [İnanç M. et al., 2019], e se não tratada, pode resultar em complicações graves, como Glaucoma e Catarata.


5. Uveítes Anterior causada por Vírus da Família HerpesViridae

  • Infecções oculares causadas por Herpes simples (HSV), Varicela-Zoster (VVZ) e Citomegalovírus (CMV) causam uma inflamação direta na malha trabecular (trabeculite), bloqueando o escoamento do humor aquoso [Pleyer U & Chee SP. 2015]

  • Risco e Manejo Clínico: Estas infecções causam picos de pressão intraocular elevados e crônicos, exigindo tratamento com antivirais sistêmicos, colírios de corticosteroides (sob rigorosa supervisão) e o manejo intensivo do glaucoma [Babu K. et al., 2020].


  • A Sarcoidose é uma doença inflamatória crônica que afeta múltiplos sistemas do corpo. Ela se manifesta com maior frequência em adultos jovens, geralmente entre 20 e 40 anos, com uma prevalência significativamente maior em mulheres [Simakurthy S. & Tripathy K. 2023].

  • Nos olhos, a Sarcoidose é uma das principais causas de uveíte granulomatosa. Essa inflamação pode levar a aumentos severos da Pressão Intraocular (PIO) através de mecanismos como:

    • Bloqueio da Malha Trabecular: Ocorre um aumento expressivo na resistência ao fluxo do humor aquoso devido ao acúmulo de células inflamatórias nos canais de drenagem.

    • Obstrução Física e Anatômica: A doença estimula a formação de granulomas (nódulos inflamatórios densos) e o desenvolvimento de sinéquias anteriores (cicatrizes que aderem a íris à córnea).

    Esse processo obstrutivo bloqueia a via de escoamento do fluido ocular, resultando frequentemente no Glaucoma de ângulo fechado.


  • Estima-se que 15% dos pacientes com Sífilis desenvolvam ceratite intersticial (infiltração crônica do estroma da córnea), sendo 96% dos casos bilaterais. Cerca de 20% dessas pessoas podem desenvolver Glaucoma secundário, que pode ser de ângulo aberto ou fechado [Kalogeropoulos & Sung 2018].


  • A VKHS geralmente se manifesta como uma inflamação granulomatosa bilateral dos olhos, acompanhada por alterações neurológicas e dermatológicas.

  • As manifestações oculares incluem uveíte anterior granulomatosa ou não-granulomatosa, precipitados na córnea, nódulos de Busacca e Koeppe. Em casos crônicos, pode haver formação de sinequias posteriores e membranas pupilares, levando em 18 a 38% dos casos ao Glaucoma de ângulo fechado [Kalogeropoulos & Sung 2018].


  • A Esclerite é uma inflamação ocular que causa dor e acometer os segmentos anterior ou posterior do olho. Afeta pessoas entre 40 e 60 anos e pode levar ao aumento agudo da pressão ocular. Até 46% dos casos de esclerite posterior apresentam aumento agudo da PIO, podendo levar ao glaucoma de ângulo fechado


Esses são apenas alguns exemplos de condições que podem estar associadas ao Glaucoma Uveítico.


DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DE ALTA PRECISÃO

O diagnóstico do Glaucoma e Uveíte envolve uma série de exames e testes, incluindo:

  • Medição da pressão intraocular (Tonometria de aplanação): para avaliar a pressão dentro do olho.

  • Gonioscopia: Avaliação detalhada do ângulo de drenagem.

  • Mapeamento de Retina e OCT (Tomografia de Coerência Óptica): para avaliar a saúde do nervo óptico.

  • Exame de campo visual (Campimetria Computadorizada): para detectar áreas de perda de visão.

  • Avaliação da inflamação ocular: para determinar a gravidade da uveíte e seu impacto na pressão ocular.

Tonometria de aplanação para Medir a Pressão intraocular (PIO)
Medição da Pressão intraocular (PIO)

OPÇÕES DE TRATAMENTO: ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR

Tratar Glaucoma e Uveíte simultaneamente é um balanço delicado. O objetivo é silenciar a inflamação sem deixar a pressão danificar o nervo óptico. O tratamento pode envolver:

  • Terapias Tópicas, como colírios hipotensores e corticosteroides tópicos, para reduzir a pressão intraocular e controlar a inflamação intraocular.

  • Terapias Sistêmicas, em casos mais graves ou quando os colírios não são suficientes para controlar a pressão.

  • Procedimentos Cirúrgicos: Quando os medicamentos não são suficientes, avançamos para cirurgias especializadas, como a Trabeculectomia, Goniocirurgias (MIGS) ou implantes de tubos de drenagem.

  • Tratamento da doença de base. O tratamento das uveítes inflamatórias envolve uma abordagem multidisciplinar e individualizada, adaptada às necessidades específicas de cada paciente e à gravidade da condição. Os paciente geralmente precisam usar medicamentos sistémicos como corticosteroides; imunossupressores convencionais (metotrexato, azatioprina, ciclosporina); agentes biológicos com anti-TNF (Fator de Necrose Tumoral), anti-CD20 e anti-IL (Interleucina); injeções intravítreas de medicamentos anti-inflamatórios ou antiangiogênicos.


Imagem esquematizada da cirurgia de Trabeculectomia
Cirurgia de Trabeculectomia para tratamento de Glaucoma

O plano de tratamento será adaptado às necessidades individuais de cada paciente e pode exigir ajustes ao longo do tempo.


Tipos de Implante para cirurgia de Glaucoma
Implantes de válvulas de AHMED e BAERVELDFT para tratamento de Glaucoma


A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO MÉDICO CONTÍNUO

O Glaucoma e Uveítes são condições crônicas. Consultas Oftalmologicas regulares são a única barreira entre o controle da doença e a perda permanente da visão. Ajustes na medicação e monitoramento estrutural do nervo óptico salvam a visão do paciente a longo prazo.


EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento do GLAUCOMA E UVEÍTES

Na Clínica EYECO Oftalmologia, localizada em São Paulo, somos referência no diagnóstico e Tratamento de GLAUCOMA e UVEÍTE. Nosso corpo clínico é liberado pelo Dr. Ever reconhecido internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos e refratários de Uveítes e Glaucoma.


Oferecemos:

  • Protocolos Baseados em Evidências: Nossas condutas seguem as diretrizes das principais sociedades de oftalmologia do mundo, garantindo segurança e eficácia.

  • Tecnologia de Última Geração: Utilizamos equipamentos de ponta, como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de alta resolução e Tratamentos com Lasers de última geração para o controle preciso da pressão intraocular.

  • Expertise em Casos Complexos: Somos especializados no manejo de doenças raras e Uveítes de difícil controle que evoluem para glaucoma secundário.

  • Acompanhamento totalmente personalizado: Cada plano de tratamento é desenhado exclusivamente para as necessidades e o histórico de saúde de cada paciente.


Na Clínica EYECO, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência.


Responsável: Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376

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