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GLAUCOMA E UVEÍTE: O QUE VOCÊ PRECISA SABER?

  • Foto do escritor: Dr. Ever Rodriguez
    Dr. Ever Rodriguez
  • 3 de jun. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 21 de mar.

Embora o Glaucoma e Uveítes sejam condições oftalmológicas distintas, a intersecção entre elas representa um dos maiores desafios na prática clínica. Quando a inflamação ocular (Uveíte) desencadeia o aumento da pressão intraocular, surge o Glaucoma Uveítico, uma condição complexa que exige diagnóstico preciso e manejo especializado para evitar a perda irreversível da visão.


Neste artigo, você entenderá como Glaucoma e Uveítes se relacionam, seus sintomas, causas, diagnóstico e as melhores opções de tratamento baseadas em evidências científicas.


Imagem ilustrativa das diferenças entre Olhos normais e com Glaucoma
Comparação entre Olho Normal e Olho com Glaucoma

O QUE É GLAUCOMA?

O Glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva caracterizada pelo dano ao nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular (PIO). Sem o tratamento adequado, o paciente sofre uma perda gradual do campo visual periférico que pode evoluir para a cegueira total. É, hoje, a principal causa de cegueira irreversível no mundo.


O QUE É UVEÍTE?

A Uveíte é a inflamação da úvea, a camada média vascular do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coroide. Suas causas são multifatoriais, abrangendo desde infecções (como herpes e sífilis) até doenças autoimunes (como artrite reumatoide) e traumas. Os sintomas incluem:

  • Olho vermelho e dor ocular

  • Fotofobia (sensibilidade à luz)

  • Visão embaçada ou turva.


 Uveíte anterior aguda com hipópio
Uveíte Anterior com hipópio


COMO A UVEÍTE PODE CAUSAR O GLAUCOMA?

O desenvolvimento do Glaucoma secundário à Uveíte ocorre por mecanismos fisiopatológicos distintos que elevam a pressão intraocular (PIO):

  1. Obstrução Inflamatória: 

    Células inflamatórias e proteínas (debris) "entopem" a malha trabecular (área responsável pela drenagem do fluido ocular), impedindo o escoamento do humor aquoso.

  2. Dano Estrutural: 

    A inflamação crônica pode causar cicatrizes (sinéquias) que bloqueiam fisicamente a circulação do fluido ocular.

  3. Resposta a Corticosteroides: 

    O tratamento padrão para uveítes envolve o uso de corticoides. Em pacientes suscetíveis ("respondedores"), esses medicamentos alteram a resistência ao escoamento do fluido, elevando a pressão ocular significativamente.

📌Referência Científica: Estudos indicam que cerca de 20% a 25% dos pacientes com Uveíte crônica desenvolverão Glaucoma secundário ao longo da vida.


SINAIS E SINTOMAS:

Fique atento aos seguintes sinais, que podem indicar a coexistência de Glaucoma e Uveíte:

  • Olho Vermelho (Hiperemia): Uma vermelhidão persistente que não melhora com lubrificantes comuns.

  • Visão Turva ou Embaçada: Frequentemente causada pelo edema de córnea decorrente da alta pressão ou pelo acúmulo de células inflamatórias no humor aquoso.

  • Dor Ocular e Cefaleia: Dores profundas no globo ocular que podem se estender para a cabeça, muitas vezes acompanhadas de náuseas, indicando um pico súbito de pressão.

  • Fotofobia Acentuada: Uma sensibilidade extrema à luz, característica marcante de processos inflamatórios intraoculares.

  • Percepção de Halos Coloridos: Visualização de círculos coloridos ao redor de luzes, um sinal clássico de que a córnea está sofrendo com a pressão elevada.

  • Moscas Volantes (Myodesopsia): Manchas ou pontos flutuantes na visão, que podem indicar a presença de debris inflamatórios ou exsudatos vítreos.


📌Nota de Especialista: Esses sintomas podem variar em gravidade de acordo com a causa da Uveíte. O diagnóstico precoce é o único caminho para interromper o dano ao nervo óptico. Se você apresenta um ou mais desses sinais, a avaliação por Oftalmologista Especialista em Uveítes deve ser imediata.


Certas condições clínicas apresentam uma associação mais agressiva com o aumento da pressão ocular:


1. Iridociclite Heterocrômica de Fuchs

  • Caracterizada por inflamação leve, mudança de cor da íris, catarata e Glaucoma.

  • Geralmente afeta apenas um olho e não responde bem aos corticosteróides, muitas vezes necessitando de cirurgia.


Iridociclite Heterocrômica de Fuchs no Olho esquerdo
Iridociclite de Fuchs no Olho Esquerdo com Heterocrômia e Catarata.

2. Síndrome de Posner-Schlossman (Crise Glaucomatociclítica)

  • Ataques recorrentes de inflamação leve com aumentos significativos da PIO.

  • Tratada com corticosteróides e medicamentos para diminuir a PIO durante os ataques.


3. Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) com Uveítes Anterior

  • Causa comum de Uveíte em crianças, frequentemente levando a Glaucoma induzido pela inflamação e pelo uso prolongado de corticosteróides.

  • Tratamento pode incluir implantes de drenagem de glaucoma, colirios hipotensores e controle da doenca de base (AIJ).

  • A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica que pode causar sérias complicações, como a Uveíte anterior. Esta inflamação ocular, presente em até 40% dos pacientes com EA, é frequentemente associada ao HLA-B27.

  • A uveíte anterior pode levar a sintomas como dor, vermelhidão e visão turva, e se não tratada, pode resultar em complicações graves, como glaucoma e catarata


5. Uveítes Anterior causada por Vírus da Família HerpesViridae

  • A Uveíte anterior causada por vírus da familia herpesviridae como: Herpes simples (HSV), Varicela-Zoster (VVZ) e Citomegalovírus (CMV) pode aumentar a pressão intraocular, bloqueando a drenagem do fluido ocular. Esse aumento de PIO pode causar glaucoma, que, sem tratamento, pode levar à perda de visão


  • A Sarcoidose é uma doença que afeta múltiplos sistemas do corpo, geralmente em pessoas entre 20 e 40 anos, sendo mais comum em mulheres.

  • Nos olhos, a Sarcoidose pode levar ao aumento da pressão intraocular (PIO) por bloqueido da malha trabecular, aumentando a resistência ao fluxo do humor aquoso. Além disso, pode haver obstrução da drenagem do humor aquoso devido a granulomas e sinequias anteriores, levando ao glaucoma de ângulo fechado, que pode necessitar de tratamento cirúrgico.


  • Estima-se que 15% dos pacientes com Sífilis desenvolvam ceratite intersticial (infiltração crônica do estroma da córnea), sendo 96% dos casos bilaterais. Cerca de 20% dessas pessoas podem desenvolver Glaucoma secundário, que pode ser de ângulo aberto ou fechado.


  • A VKHS geralmente se manifesta como uma inflamação granulomatosa bilateral dos olhos, acompanhada por alterações neurológicas e dermatológicas.

  • As manifestações oculares incluem uveíte anterior granulomatosa ou não-granulomatosa, precipitados na córnea, nódulos de Busacca e Koeppe. Em casos crônicos, pode haver formação de sinequias posteriores e membranas pupilares, levando ao glaucoma de ângulo fechado.


  • A Esclerite é uma inflamação ocular que causa dor e acometer os segmentos anterior ou posterior do olho. Afeta pessoas entre 40 e 60 anos e pode levar ao aumento agudo da pressão ocular. Até 46% dos casos de esclerite posterior apresentam aumento agudo da PIO, podendo levar ao glaucoma de ângulo fechado


Esses são apenas alguns exemplos de condições que podem estar associadas ao glaucoma uveítico.


DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DE ALTA PRECISÃO

O diagnóstico do Glaucoma e Uveíte envolve uma série de exames e testes, incluindo:

  • Medição da pressão intraocular (Tonometria de aplanação): para avaliar a pressão dentro do olho.

  • Gonioscopia: Avaliação detalhada do ângulo de drenagem.

  • Mapeamento de Retina e OCT (Tomografia de Coerência Óptica): para avaliar a saúde do nervo óptico.

  • Exame de campo visual (Campimetria Computadorizada): para detectar áreas de perda de visão.

  • Avaliação da inflamação ocular: para determinar a gravidade da uveíte e seu impacto na pressão ocular.

Tonometria de aplanação para Medir a Pressão intraocular (PIO)
Medição da Pressão intraocular (PIO)

OPÇÕES DE TRATAMENTO: ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR

Tratar Glaucoma e Uveíte simultaneamente é um balanço delicado. O objetivo é silenciar a inflamação sem deixar a pressão danificar o nervo óptico. O tratamento pode envolver:

  • Terapias Tópicas, como colírios hipotensores e corticosteroides tópicos, para reduzir a pressão intraocular e controlar a inflamação intraocular.

  • Terapias Sistêmicas, em casos mais graves ou quando os colírios não são suficientes para controlar a pressão.

  • Procedimentos Cirúrgicos: Quando os medicamentos não são suficientes, avançamos para cirurgias especializadas, como a Trabeculectomia, Goniocirurgias (MIGS) ou implantes de tubos de drenagem.

  • Tratamento da doença de base. O tratamento das uveítes inflamatórias envolve uma abordagem multidisciplinar e individualizada, adaptada às necessidades específicas de cada paciente e à gravidade da condição. Os paciente geralmente precisam usar medicamentos sistémicos como corticosteroides; imunossupressores convencionais (metotrexato, azatioprina, ciclosporina); agentes biológicos com anti-TNF (Fator de Necrose Tumoral), anti-CD20 e anti-IL (Interleucina); injeções intravítreas de medicamentos anti-inflamatórios ou antiangiogênicos.


Imagem esquematizada da cirurgia de Trabeculectomia
Cirurgia de Trabeculectomia para tratamento de Glaucoma

O plano de tratamento será adaptado às necessidades individuais de cada paciente e pode exigir ajustes ao longo do tempo.


Tipos de Implante para cirurgia de Glaucoma
Implantes de válvulas de AHMED e BAERVELDFT para tratamento de Glaucoma


A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO MÉDICO CONTÍNUO

O Glaucoma e Uveítes são condições crônicas. Consultas Oftalmologicas regulares são a única barreira entre o controle da doença e a perda permanente da visão. Ajustes na medicação e monitoramento estrutural do nervo óptico salvam a visão do paciente a longo prazo.


EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento do GLAUCOMA E UVEÍTES

Na Clínica EYECO Oftalmologia, localizada em São Paulo, somos referência no diagnóstico e Tratamento de GLAUCOMA e UVEÍTE. Nosso corpo clínico é liberado pelo Dr. Ever reconhecido internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos e refratários de Uveítes e Glaucoma.


Oferecemos:

  • Protocolos Baseados em Evidências: Nossas condutas seguem as diretrizes das principais sociedades de oftalmologia do mundo, garantindo segurança e eficácia.

  • Tecnologia de Última Geração: Utilizamos equipamentos de ponta, como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de alta resolução e Tratamentos com Lasers de última geração para o controle preciso da pressão intraocular.

  • Expertise em Casos Complexos: Somos especializados no manejo de doenças raras e Uveítes de difícil controle que evoluem para glaucoma secundário.

  • Acompanhamento totalmente personalizado: Cada plano de tratamento é desenhado exclusivamente para as necessidades e o histórico de saúde de cada paciente.


Na Clínica EYECO, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência.


Responsável: Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376

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