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MIOPIA: Causas, Tratamentos e Prevenção

  • Foto do escritor: Dr. Ever Rodriguez
    Dr. Ever Rodriguez
  • 21 de jun. de 2021
  • 8 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Você sente dificuldade para enxergar placas de trânsito, o quadro na sala de aula ou reconhecer rostos à distância, mas sua visão para perto continua nítida? Esses são sinais clássicos de Miopia, um dos erros de refração mais comuns no mundo.


Embora muitas pessoas convivam com a Miopia usando apenas óculos, é fundamental compreender que essa condição vai além de um simples "grau". Em casos mais elevados, ela exige monitoramento médico rigoroso para prevenir complicações sérias.


Neste artigo, explicamos a ciência por trás da Miopia, as diferenças entre miopia patológica e não patológica e, o mais importante: como controlar sua progressão com tratamentos modernos.


Imagem no olho normal e miopia
Diferenças entre olho normal e olho com Miopia.

O que é a Miopia?

A Miopia é um erro de refração que acontece quando o olho é mais longo do que o normal (aumento do comprimento axial) ou quando a córnea tem uma curvatura muito acentuada. Em um olho saudável, a luz deve focar exatamente sobre a retina. No olho Míope, a imagem de objetos distantes é formada anteriormente (à frente) da retina, resultando em uma visão de longe turva. Por outro lado, como o foco é projetado para frente, a visão de perto costuma ser excelente.


Diferenças Anatômicas: Olho Normal vs. Olho com Miopia

É importante destacar que a Miopia é um distúrbio do foco e não uma doença, exceto na Miopia Patológica.


📌Evidência Científica: Em estudos de Ressonância Magnética - RM (Figura 2), como os apresentados no The Retinal Atlas (YANNUZZI, 2026), é possível observar claramente a disparidade: enquanto um olho normal mantém seu formato esférico, o olho com Miopia Patológica apresenta-se visivelmente alongado, alterando toda a anatomia do fundo de olho.


Diferencias entre olho normal o miopia patológica evidenciado pela Ressonância magnética
Figura 2: RM revela um olho normal (esférico) comparado a um olho visivelmente alongado e deformado (Miopia Patológica)

Classificação da Miopia:

A ciência moderna, conforme destacado na Nature Reviews Disease Primers (2020), classifica a Miopia em dois grupos:

  • Miopia Não Patológica (Fisiológica)

  • Miopia Patológica (Alta Miopia)

Alterações no formato ocular tem relação com o grau da miopia
Figura 3: Câmbios no formato ocular segundo o grau da Miopia. Fonte: Myopia. Nat Rev Dis Primers. 2020

1. Miopia Não Patológica

Também chamada de Miopia fisiológica ou leve, é a forma mais frequente na população.

  • Características: As estruturas do olho desenvolvem-se dentro dos limites normais.

  • Grau: Geralmente inferior a 6,00 dioptrias.

  • Evolução: Inicia-se na infância ou adolescência e costuma estabilizar por volta dos 24 anos de idade para todas as etnias segundo os estudos populacionais, acompanhando o fim do crescimento corporal.

  • Curiosidade: Em alguns casos, uma segunda mudança no grau pode ocorrer entre o final da segunda década ou no início da terceira década.


Este é um quadro claramente mais sério, classificado como um erro refrativo de alta magnitude e progressivo.

  • Definição: Graus superiores a 6,00 dioptrias ou comprimento axial do globo ocular maior que 26,5 mm.

  • Riscos: Apresenta alterações no fundo do olho. A etiologia sugere um defeito genético no desenvolvimento do segmento posterior do olho, onde a esclera (a parte branca) não suporta a pressão intraocular, cedendo e expandindo-se.

  • Atenção: Por ser progressiva e surgir muito cedo na infância, exige monitoramento constante para evitar danos permanentes à visão.

Atrofia e cicatriz de retina na miopia patológica.
Figura 4. Alterações na Miopia Patológica: ruptura do epitélio pigmentado macular (setas) com áreas de hiperplasia e presença de estafiloma posterior alongado (pontas de seta). Fonte: The Retinal Atlas YANNUZZI 2026
Descolamento de retina regmatogênico na Miopia Patológica.
Figura 5. Descolamento de retina na Alta Miopia.

Quem corre risco de desenvolver Miopia?

A Miopia não surge ao acaso. Ela é o resultado de uma interação complexa entre a nossa carga genética e os hábitos do mundo moderno. Entender os fatores de risco é o primeiro passo para a prevenção eficaz.


1. Herança Genética: O fator hereditário

A Miopia possui uma forte base genética. Se um dos pais é míope, o risco de os filhos desenvolverem a condição é significativo. Se ambos os pais forem míopes, a probabilidade é ainda maior.

  • Cronologia do crescimento: Geralmente, a Miopia é detectada em crianças com idades entre 8 e 12 anos.

  • Aceleração na adolescência: Durante a puberdade, o crescimento corporal é acelerado, e o globo ocular acompanha esse processo. Em jovens predispostos, o olho pode se alongar mais rapidamente do que o esperado, piorando a Miopia.

  • Estabilização: A tendência é que o grau pare de subir por volta dos 24 anos, quando o crescimento biológico se encerra.


2. Estilo de Vida e a "Geração Digital"

Além da genética, fatores ambientais têm causado um aumento explosivo de novos casos de Miopia. O grande desenvolvimento tecnológico das últimas duas décadas transformou a saúde visual de crianças e adolescentes.

  • O Perigo das Telas Pequenas: A migração dos computadores de mesa para tablets e smartphones mudou a distância de leitura. O número de crianças entre 4 e 6 anos com seus próprios smartphones subiu de 23% para 30%.

  • Esforço Visual de Perto: Telas menores forçam o usuário a segurar o aparelho muito próximo aos olhos. Esse esforço constante de acomodação visual facilita a perda do foco para imagens distantes, "treinando" o olho para ser míope.

  • Privação de Luz Solar: O uso excessivo de dispositivos eletrônicos em ambientes fechados reduz o tempo de exposição à luz natural, que é essencial para regular o crescimento saudável do olho.

Criança com excessivo esforço visual durante uso do smartphone
Figura 6. Esforço visual com smartphone de tela menor.

Sintomas da Miopia: Como Identificar os Sinais?

A miopia muitas vezes se manifesta de forma sutil, especialmente em crianças que não sabem expressar que estão enxergando mal. O diagnóstico precoce, geralmente realizado entre os primeiros anos escolares e a adolescência, é crucial para evitar o desenvolvimento da Miopia Patológica (Alta Miopia).


Sinais Comuns em Adultos e Jovens

Os sintomas clássicos envolvem o esforço que o cérebro e os olhos fazem para compensar o foco incorreto:

  • Visão turva ao olhar para objetos distantes (como placas de trânsito ou legendas).

  • Cansaço visual (astenopia) após períodos prolongados de atenção.

  • Dores de cabeça frequentes, geralmente na região frontal.

  • Hábito de apertar os olhos: Ao "espremer" as pálpebras, o paciente cria um efeito de "furo estenopeico", que melhora temporariamente a nitidez da imagem.


O Alerta para os Pais: Sintomas da Miopia na Infância

Como a criança acredita que todos enxergam da mesma forma que ela, os sinais costumam ser comportamentais. Fique atento se o seu filho:

  • Aperta os olhos persistentemente para ver televisão ou reconhecer pessoas.

  • Aproxima-se excessivamente de telas, livros ou senta-se nas primeiras fileiras da sala de aula.

  • Parece desatento a objetos ou atividades que ocorrem à distância.

  • Pisca excessivamente ou esfrega os olhos com frequência, demonstrando irritação ocular.

📌Evidência Científica: De acordo com o estudo Nature Reviews Disease Primers (2020), a detecção precoce desses sinais na Infância é o fator determinante para iniciar protocolos de controle da Miopia que impedem o alongamento excessivo do globo ocular e reduzem riscos de doenças futuras na retina.


MIOPIA: Tratamentos Modernos, Controle da Progressão e Prevenção

A oftalmologia moderna vai muito além da simples prescrição de óculos: hoje, focamos em tratar a Miopia e controlar sua evolução para proteger a saúde dos olhos no futuro.

Detalhamos as opções cirúrgicas, as terapias para frear o aumento do grau em crianças e a influência decisiva do estilo de vida.


1. Tratamentos para Miopia: O Que Fazer?

O pilar do tratamento é a correção óptica do erro refrativo, garantindo que a imagem volte a se formar nitidamente na retina.

Opções Não Cirúrgicas

  • Óculos: A solução mais comum e segura para todas as idades.

  • Lentes de Contato: Oferecem maior campo visual e liberdade para atividades físicas.

Opções Cirúrgicas

Para quem busca independência dos óculos, a cirurgia é uma excelente opção, mas deve ser personalizada de acordo com o grau:

📌Importante: É fundamental compreender que, embora as cirurgias corrijam o defeito óptico (o grau), elas não curam o formato alongado do olho. Portanto, elas não eliminam a possibilidade de complicações futuras na retina. O acompanhamento médico deve continuar por toda a vida.


2. Riscos e Complicações: O Cuidado com a Retina

Em casos de Miopia Patológica ou Alta Miopia, o alongamento excessivo do globo ocular estica a retina, tornando-a mais frágil.

Como tratamos as complicações?

  • Prevenção de Descolamento de Retina: Utilizamos a fotocoagulação a laser para "selar" lesões periféricas e roturas que poderiam evoluir para um descolamento de retina.

  • Tratamento Cirúrgico: Necessário se o descolamento de retina já tiver ocorrido. As principais técnicas cirugicas são: Retinopexia Pneumática, Retinopexia com Introflexão Escleral e Vitrectomia Posterior Via Pars Plana

  • Membranas Neovasculares: Se surgirem vasos sanguíneos anormais que causam sangramento, o tratamento padrão-ouro são as Injeções Intravítreas de Antiangiogênicos.


Controlar o avanço da MIOPIA é a prioridade da oftalmologia pediátrica moderna. Didaticamente, organizamos as estratégias em três pilares: Farmacológico (colírios), Ambiental (hábitos e luz solar) e Óptico (lentes especiais)


3.1. Controles Farmacológicos (Atropina)

O uso do colírio de Atropina em baixa dose (0,01% a 0,05%) consolidou-se como uma das estratégias mais robustas e validadas pela ciência atual (Nível I de evidência).

  • Como funciona o protocolo: O tratamento consiste na aplicação diária de uma gota ao deitar, geralmente por um período mínimo de 2 anos. O medicamento atua em receptores oculares específicos, enviando sinais biológicos que retardam o alongamento excessivo do olho.

  • Eficácia comprovada: Estudos de alto impacto, como os publicados na Nature Reviews Disease Primers (2020) e no Consenso Brasileiro de Miopia (ABO), indicam que a atropina pode reduzir a progressão da MIOPIA em taxas que variam de 40% a 70%. É uma estratégia segura e fundamental para evitar que a criança atinja graus elevados no futuro.

Colírio de Atropina em baixa dose (0,01-0,025%) usada ​​para retardar a progressão da miopia.
Figura 7. Colírio de Atropina em baixa dose utilizado para retardar a progressão da Miopia

3.2. Controles Ópticos (Ortoceratologia)

A Ortoceratologia (Orto-K) é uma técnica avançada de redução temporária da miopia. Consiste no uso de lentes de contato rígidas com desenho específico durante o sono.

  • Como funciona: A lente remodela suavemente a córnea enquanto o paciente dorme, permitindo visão nítida durante o dia sem óculos e ajudando a segurar o aumento do grau (Fonte: Arq. Bras. Oftalmol. vol.83 no.4, 2020).

Esquema didático in situo da lente de Ortoceratologia
Figura 8. Lente de Ortoceratologia (OrtoK) in situ. Fonte: CLEAR - Orthokeratology

Processo de correção da miopia com lentes de Ortoceratologia
Figura 9. Esquema didático do mecanismo de ação das lentes de Ortoceratologia para remodelagem corneal. Fonte: SOBLEC

3.3. Controle Ambiental: O Poder do Sol e o Perigo das Telas

O estilo de vida da criança é determinante.

3.3.1. A Importância da Luz Solar 

Há evidências robustas de que a exposição ao sol estimula a produção de dopamina na Retina e de Vitamina D.

  • Mecanismo: A dopamina regula o crescimento axial do olho, e a luz ultravioleta aumenta a resistência das fibras de colágeno da córnea.

  • Recomendação: "Banhos de sol" e atividades ao ar livre de duas horas diárias são preconizados para prevenção (Fonte: Arq. Bras. Oftalmol. vol.83 no.4, 2020).


Luz do sol diminuem a progressão da miopia.
Figura 10. Ilustração do efeito protetor da luz solar e dopamina no controle da miopia.

3.3.2. O Desafio das Telas 

O uso excessivo de visão de perto é um fator de risco.

  • Estratégia: Limite o tempo frente ao computador e dispositivos digitais. O equilíbrio entre o uso de eletrônicos e o tempo ao ar livre é vital para proteger a visão da criança à medida que ela cresce.

  • Diretrizes: O tempo máximo de uso contínuo varia conforme a idade, seguindo as recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Recomendação da SBP quanto ao uso de dispositivos eletrônicos
Tabela de recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) quanto ao limite de horas de uso de telas por faixa etária.

Conclusão: A Prevenção é o Melhor Tratamento

Um controle oftalmológico periódico é indispensável não apenas para o diagnóstico da Miopia, mas para implementar essas estratégias de controle a tempo de evitar a Alta Miopia e suas complicações.


EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento da MIOPIA

Na Clínica EYECO Oftalmologia, somos referência nacional no diagnóstico e Tratamento da MIOPIA. Nosso corpo clínico reúne especialistas reconhecidos internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos.


Nossa equipe é liderado pelo Dr. Ever, Referência Nacional no Controle da Progressão da Miopia na Clínica EYECO em São Paulo/SP


Oferecemos:

  • Protocolos baseados em evidências: Controle de progressão com Atropina e Ortoceratologia.

  • Tecnologias modernas: Equipamentos de Biometria Óptica e Topografia de Córnea de última geração.

  • Acompanhamento personalizado: Planos de cuidado específicos para cada perfil de paciente.


Na Clínica EYECO, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência..


Responsável: Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376

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