Miopia Patológica e Seus Tratamentos Baseados em Evidências
- Dr. Ever Rodriguez

- 19 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
A Miopia Patológica, também chamada de Miopia Degenerativa, é uma condição ocular progressiva e potencialmente incapacitante. Diferente da miopia comum, ela não é apenas um erro refrativo elevado: trata-se de uma doença estrutural do globo ocular, caracterizada pelo alongamento axial excessivo (geralmente > 26,5 mm ou graus acima de –6,00 D) e por alterações degenerativas progressivas na retina, coroide e esclera.
Esse estiramento biomecânico provoca lesões irreversíveis no fundo de olho, predispondo a sequelas graves como maculopatia miópica, retinosquise, neovascularização de coroide e até cegueira legal. Estudos recentes apontam a Miopia Patológica como uma das principais causas de baixa visão em adultos jovens na Ásia e em expansão global devido ao aumento da Miopia em crianças e adolescentes.
Neste artigo, você vai aprender: O que realmente acontece no olho com Miopia Patológica; As principais complicações e como elas ameaçam a visão; Tratamentos baseados nas melhores evidências científicas atuais; Como novas tecnologias mudaram o diagnóstico e o prognóstico; Quando procurar um especialista em Retina na Clínica EYECO

Miopia Patológica: O Que Realmente Acontece Dentro do Olho?
A Miopia Patológica ocorre quando o globo ocular se alonga além de seus limites fisiológicos, causando afinamento progressivo das camadas oculares. Isso gera:
Estiramento da retina
Atrofia da coroide
Deformações na esclera
Risco aumentado de rupturas, hemorragias e neovascularização
Principais Complicações da Miopia Patológica
As complicações abaixo representam as manifestações mais comuns e graves da Miopia Patológica.
1. Estafiloma Posterior: A Deformação da Parede Ocular
O Estafiloma Posterior é uma ectasia (protrusão) da parede posterior do globo ocular, sendo uma das alterações mais características da Miopia Patológica. A esclera, já afinada, cede à pressão intraocular, formando uma bolsa que deforma a retina e a coroide sobrejacentes.
Relevância Clínica: É um marcador de gravidade e está frequentemente associado a outras maculopatias.
Tratamento: Não há tratamento direto para o estafiloma, mas seu manejo foca na prevenção e tratamento das complicações associadas, como a Maculopatia Miópica.
2. Maculopatia Miópica: O Maior Risco Para a Visão Central
A Maculopatia Miópica é um espectro de lesões que afetam a mácula, a área responsável pela visão de detalhes finos. Sua classificação mais recente, o sistema ATN (Atrofia, Neovascularização, Tração), ajuda a guiar o prognóstico e tratamento:
Atrofia (A): Lesões atróficas coriorretinianas, desde a atrofia difusa até as manchas de Fuchs.
Neovascularização (N): Desenvolvimento de Neovascularização Coroidal (NVC).
Tração (T): Ocorre com a Retinosquise Macular Miópica e o Descolamento de Retina Foveal, resultantes da tração vitreorretiniana.
3. Neovascularização Coroidal (NVC) Miópica: A Principal Causa de Perda Visual Súbita
A Neovascularização de Coróide (NVC), ou Membrana Neovascular Miópica, é uma complicação grave e uma das principais causas de baixa visual aguda na Miopia Patológica, necessitando de tratamento urgente. O estiramento da retina cria rupturas (rachaduras), através das quais novos vasos sanguíneos anômalos crescem sob a mácula.
Tratamento: O padrão ouro é a Injeção Intravítrea de Agentes Anti-VEGF (Fator de Crescimento Endotelial Vascular), que inibem o crescimento e a permeabilidade dos vasos.
4. Retinosquise Macular Miópica: Separação das Camadas da Retina
A Retinosquise Macular Miopia ocorre quando a retina neurosensorial se divide em camadas (esquise) ou se eleva devido à tração exercida pela membrana limitante interna e o vítreo, especialmente na região macular.
Tratamento: Casos sintomáticos ou progressivos frequentemente exigem vitrectomia via pars plana para aliviar a tração e permitir o reposicionamento da retina.
O estiramento do globo ocular também afeta a retina periférica, tornando-a mais fina e propensa a degenerações, como as Degenerações Tipo Lattice e rupturas da retina.
6. Descolamento de Retina (Retinal Detachment)
O Descolamento de Retina é uma emergência oftalmológica grave. A combinação de retina adelgaçada e degenerações periféricas, que podem levar à formação de rasgos (rupturas), aumenta dramaticamente o risco de o vítreo líquido passar por esses rasgos e separar a retina da coroide subjacente.
Tratamento: Requer intervenção cirúrgica imediata, como a Retinopexia Pneumática, Retinopexia com Introflexão Escleral ou Vitrectomia Posterior.
7. Glaucoma na Miopia
O risco de Glaucoma é maior em pacientes com Miopia Patológica. Embora o mecanismo seja complexo, acredita-se que a alteração da estrutura da lâmina crivosa e a elevada pressão intraocular (PIO) atuem sinergicamente no dano ao Nervo Óptico.
Tratamento: Controle rigoroso da pressão intraocular (PIO) com colírios, Laser (SLT) ou cirurgia (Trabeculectomia). O desafio é que o dano glaucomatoso pode ser subestimado devido à aparência alterada do disco óptico miópico (Neuropatia Óptica Miópica).
8. Neuropatia Óptica Miópica
Refere-se a alterações degenerativas do nervo óptico relacionadas ao alongamento do olho, manifestadas por atrofia peripapilar e inclinação do disco óptico. É um fator de confusão no diagnóstico e acompanhamento do glaucoma.
9. Anormalidades na Motilidade Ocular
Em casos de Miopia Patológica extrema, o alongamento excessivo pode levar a Estrabismos complexos, como o Esotropia Acquisita Progressiva (olho virado para dentro), devido a alterações no trajeto dos músculos extraoculares.
Tratamento: Cirurgia de estrabismo para realinhar os olhos e restaurar o campo visual.
Diagnóstico Moderno e Avançado das Complicações da Miopia Patológica
O diagnóstico preciso das sequela miópicas é feito através de exames não invasivos de última geração:
Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Essencial para mapear o Estafiloma, diagnosticar Retinosquise Macular, monitorar a espessura da retina e identificar NVC.
Angiografia por OCT (OCT-A): Permite a visualização detalhada da Neovascularização de Coroide sem a necessidade de contraste injetável.
Biometria óptica: mede o comprimento axial com precisão.
Retinografia ultra-wide: documentação completa da retina.
Tratamentos das Complicações da Miopia Patológica Baseados em Evidências Científicas
Sequela | Tratamento Padrão-Ouro | Otimização para EEAT |
Neovascularização de Coroide (NVC) | Injeções Intravítreas Anti-VEGF | Uso de regimes de tratamento individualizados (PRN, Treat and Extend). |
Retinosquise Macular | Vitrectomia Posterior via Pars Plana | Cirurgia com alívio de tração e/ou uso de óleo de silicone, dependendo da gravidade e do Estafiloma. |
Descolamento de Retina | Retinopexia Pneumática ou Vitrectomia Posterior | Uso de técnicas microcirúrgicas avançadas para reparar o rasgo e reposicionar a retina. |
Glaucoma | Medicamentos Tópicos e/ou Cirurgia | Monitoramento com exames de imagem específicos para o nervo óptico miópico. |
Conclusão: A Importância da Vigilância Contínua na Miopia Patológica
A Miopia Patológica é uma condição ocular séria, com o potencial de comprometer significativamente a qualidade de vida. No entanto, o avanço da tecnologia diagnóstica e terapêutica permite que as sequela sejam identificadas e tratadas de forma cada vez mais eficaz, especialmente quando a intervenção ocorre em estágios iniciais. A vigilância oftalmológica especializada é a chave para preservar a visão do paciente.
EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento da Miopia Patológica
Na Clínica EYECO Oftalmologia, somos referência nacional no diagnóstico e Tratamento da Miopia Patológica. Nosso corpo clínico é liderado pelo Dr. Ever reconhecido internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos.
Oferecemos:
Protocolos baseados em evidências e diretrizes internacionais.
Tecnologias modernas como OCT Swept-Source e Angio-OCT (OCT-A) de última geração.
Acompanhamento personalizado para cada paciente, desde o controle da progressão miópica na infância até o manejo cirúrgico complexo.
Na Clínica EYECO, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência.
Responsável: Dr. Ever Ernesto Caso Rodriguez | CRM-SP: 160.376
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