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Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e Suas Manifestações Oculares: Guia Completo e Atualizado

  • Foto do escritor: Dr. Ever Rodriguez
    Dr. Ever Rodriguez
  • 25 de mai.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 7 de ago.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma Doença Autoimune complexa e Multissistêmica, que pode comprometer gravemente diversos órgãos, inclusive os olhos. Embora seja mais conhecido pelas alterações cutâneas e articulares, o LES frequentemente causa manifestações oculares que podem afetar significativamente a qualidade de vida e a visão dos pacientes.


Neste artigo, você vai entender, de forma clara e completa o que é o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), como afeta os olhos, principais manifestações oculares, diagnóstico e tratamento, a importância do acompanhamento oftalmológico.

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e Suas Manifestações Oculares
Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e Suas Manifestações Oculares

O que é o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma Doença Autoimune Crônica, caracterizada por uma resposta imunológica desregulada, na qual o sistema imunológico passa a atacar tecidos e órgãos saudáveis, provocando inflamação sistêmica e danos progressivos.


O LES apresenta uma ampla gama de manifestações clínicas e laboratoriais, o que torna seu diagnóstico e manejo complexos. Estima-se que cerca de 90% dos casos ocorram em mulheres, principalmente entre os 20 e 40 anos de idade.


Os sintomas do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) variam amplamente, mas os mais comuns incluem:

  • Fadiga intensa e persistente

  • Artralgia e mialgia (dores articulares e musculares)

  • Fotosensibilidade (sensibilidade exagerada à luz solar)

  • Pleurisia (inflamação da membrana pulmonar)

  • Febre inexplicada

  • Erupção malar ("asa de borboleta" no rosto)

Importante: 33% a 50% dos pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) apresentam algum tipo de manifestação ocular ao longo da vida, variando desde quadros leves até complicações potencialmente ameaçadoras à visão, como a Retinopatia Lúpica.


O que Causa o Lúpus Eritematoso Sistêmico?

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) resulta da interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais:

  • Genéticos: Mais de 40 loci associados à predisposição genética foram identificados.

  • Ambientais: exposição à radiação ultraviolea, infecções virais (como Epstein-Barr) e alguns medicamentos podem desencadear ou agravar a doença.

  • Hormonais: a predominância feminina sugere forte influência do estrogênio.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é mais prevalente em mulheres afro-americanas e hispânicas.


Como o Lúpus Eritematoso Sistêmico Afeta os Olhos?

As manifestações oculares do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) podem envolver qualquer parte do olho, desde as pálpebras até o nervo óptico, e variam de quadros leves até complicações potencialmente ameaçadoras à visão. Estima-se que até um terço dos indivíduos com LES desenvolvam alterações oculares.


As principais condições oftalmológicas associadas ao LES incluem:

1. Ceratoconjuntivite Seca (Síndrome do Olho Seco)

A Ceratoconjuntivite Seca é a manifestação ocular mais comum, afetando até 25% dos pacientes com LES. Ocorre devido à inflamação das glândulas lacrimais e diminuição da produção de lágrimas, causando:

  • Sensação de areia ou ardência

  • Visão turva

  • Fotofobia

  • Desconforto ocular, especialmente ao final do dia

Diagnóstico:
  • Teste de Schirmer: avalia a quantidade lacrimal.

  • Coloração com colirios de fluoresceína: verifica a integridade da superfície ocular.

Tratamento:
  • Lágrimas artificiais e pomadas lubrificantes

  • Tampões lacrimais

  • Imunomoduladores tópicos: Ciclosporina, Tacrolimus ou corticosteroides em casos graves.


2. Retinopatia Lúpica: Um Risco Silencioso

A Retinopatia Lúpica é uma das complicações mais graves, com prevalência entre 3% e 29% dos casos.

Patogênese

A Retinopatia Lúpica ocorre por vasculopatia causada pelo depósito de imunocomplexos e/ou vasculite.

Tipos principais:

  • Microangiopatia: mais comum, caracterizada por hemorragias em chama de vela, exsudatos algodonosos e tortuosidade vascular.

  • Vasculite: inflamação intensa dos vasos retinianos, com risco de oclusões arteriais e venosas.

  • Vaso-oclusão severa: obstrução completa dos vasos, podendo causar isquemia retiniana e perda irreversível da visão.

Sintomas:
  • Visão embaçada

  • Escotomas (manchas escuras no campo visual)

  • Perda de visão periférica

Importante: A Síndrome Antifosfolipídica, frequente no LES, aumenta o risco de isquemia retiniana.

Tratamento:
  • Controle rigoroso do LES

  • Uso de Corticosteroides e Imunossupressores

  • Terapias Oculares: Injeções Intravítreas ou Fotocoagulação a Laser.


3. Outras Manifestações Oculares no Lúpus Eritematoso Sistêmico

Além da ceratoconjuntivite seca e da retinopatia, o LES pode causar outras condições oculares, como:

3.1. Neuropatia Óptica

  • Acomete cerca de 1% dos pacientes, podendo ser a manifestação inicial.

  • Provoca perda visual grave, às vezes irreversível.

  • Tratamento: corticosteroides sistêmicos.

3.2. Comprometimento Orbitário

  • Manifesta-se como Miosite (inflamatória dos músculos extraoculares) e Paniculite Orbitárias (inflamação do tecido adiposo).

  • Sintomas: proptose, ptose, edema palpebral, restrição dos movimentos oculares.

  • Diagnóstico: biópsia e avaliação sorológica.

  • Tratamento: imunossupressores.

3.3. Lesões Palpebrais e Cutâneas Periorbitárias

  • Eritema malar típico do LES pode acometer a região periorbitária

  • Lúpus discóide palpebral: Placas eritematosas elevadas e escamosas, com risco de cicatrização e madarose.

  • Tratamento: Corticoides tópicos e Antimaláricos orais, como hidroxicloroquina

3.4. Córnea

  • Pode ocorrer ceratite pontuada superficial, geralmente associada à Síndrome de Sjögren.

  • Casos raros de Ceratite Ulcerativa Periférica são descritos.

3.5. Episclerite e Esclerite

  • Episclerite: hiperemia ocular indolor, autolimitada.

  • Esclerite: condição grave, progressiva, podendo causar perda visual.

  • Prevalência de esclerite no LES: 2%, menor que na Artrite Reumatoide.

3.6. Iridociclite

Como o Diagnóstico do LES é Feito?

O diagnóstico do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é complexo e exige a combinação de:

  • Critérios clínicos: sinais e sintomas característicos.

  • Exames laboratoriais, incluindo:

    • Anticorpos antinucleares (ANA ou FAN), com sensibilidade superior a 95%.

    • Anti-dsDNA e anti-Sm

    • Dosagem do Complemento sérico (C3 e C4)

  • Biópsias e outros exames específicos, dependendo das manifestações clínicas.

A Classificação mais atual é a da EULAR/ACR 2019, que utiliza um sistema de pontos cumulativos para estabelecer o diagnóstico de LES.

Quando há manifestações oculares, a avaliação oftalmológica torna-se indispensável. Os principais exames oftalmológicos incluem:

  • Avaliação Oftalmológica completa

  • Retinografia

  • Angiografia fluoresceínica

  • Tomografia de coerência óptica (OCT)


Tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico e de Suas Manifestações Oculares

O tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) visa Controlar a inflamação sistêmica; Prevenir danos orgânicos e Visuais; e Aliviar os sintomas.

O tratamento geralmente envolve uma combinação de:

1. Terapia Sistêmica

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

  • Corticosteroides sistêmicos: para inflamação aguda.

  • Antimaláricos: como hidroxicloroquina,  essencial na manutenção e prevenção de surtos.

  • Imunossupressores: como azatioprina, metotrexato ou micofenolato para casos graves.

  • Biológicos (Belimumabe e Rituximabe ) para casos refratários e severos

  • Antagonistas do Interferon (Anifrolumabe) para casos moderados a severos

2. Terapia Ocular

  • De acordo com a manifestação específica: uso de lubrificantes, imunomoduladores tópicos, ou procedimentos como Injeções Intravítreas ou Fotocoagulação a Laser.

  • Tratamento cirúrgico para alterações anatômicas palpebrais, quando necessário.

3. Medidas adicionais:

  • Evitar exposição solar: a radiação UV pode agravar a doença.

  • Evitar fumar

  • Acompanhamento regular com Reumatologista e Oftalmologista


Prognóstico e Cuidados Oftalmológicos no Lúpus Eritematoso Sistêmico

O prognóstico ocular depende do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento.

  • O acompanhamento regular com Médico Oftalmologista é indispensável.

  • Pacientes em uso prolongado de antimaláricos devem realizar exames oftalmologicos periódicos com OCT de Retina, Autofluorescencia e Campo Visual 10:2 para detecção precoce de Toxicidade Retiniana.

  • A detecção precoce de manifestações como Retinopatia ou Neuropatia Óptica pode prevenir cegueira irreversível.


Conclusão: A Importância do Diagnóstico Precoce e do Acompanhamento Oftalmológico no LES

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma Doença Autoimune que pode afetar diversos sistemas, incluindo os olhos. As manifestações oculares são comuns e podem ter um impacto significativo na visão e na qualidade de vida.

  • O diagnóstico precoce

  • O tratamento adequado

  • E o acompanhamento oftalmológico contínuo

São essenciais para prevenir complicações graves.


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