Desconforto com suas Lentes de Contato? Pode ser Blefarite!
- Dra. Yandely Ch

- 6 de jun. de 2024
- 6 min de leitura
Se você usa Lentes de Contato e tem sentido ardor, coceira, vermelhidão ou visão embaçada, há uma causa muito comum e frequentemente subdiagnosticada por trás desses sintomas: a Blefarite.
Apesar de ser uma condição bastante prevalente, a Blefarite ainda é negligenciada por muitos pacientes, o que pode comprometer não apenas o conforto no uso das lentes, mas também a saúde ocular a longo prazo.
Neste guia completo, você vai entender o que é Blefarite, como identificar, classificar, tratar e principalmente como recuperar o conforto com suas lLentes de Contato, com base nas melhores evidências científicas atuais.

O que é Blefarite e por que ela afeta quem usa Lentes de Contato?
A Blefarite é a inflamação das bordas palpebrais, onde se localizam os cílios e as glândulas de meibomius. De acordo com o International Workshop on Meibomian Gland Dysfunction, essa condição é uma das causas primárias de desconforto ocular e alterações na superfície ocular.
Sua etiologia é multifatorial, podendo ser desencadeada por:
Colonização bacteriana: Especialmente por Staphylococcus aureus.
Dermatite Seborreica: Alterações na composição lipídica da pele.
Infestação por Ácaros: Proliferação de Demodex folliculorum nos folículos pilosos (LIU et al., 2010).
Disfunção das Glandulas de Meibomius (DGM): Obstrução das glândulas que produzem a camada oleosa da lágrima.
Por que isso importa para quem usa Lentes de Contato?
A estabilidade do filme lacrimal é o pilar fundamental para o sucesso na adaptação de Lentes de Contato. Segundo o relatório global TFOS DEWS II (2017), a integridade das glândulas de Meibômio é essencial para evitar a evaporação precoce da lágrima. Quando a Blefarite está presente, o equilíbrio é rompido, gerando:
Alteração na Qualidade da Lágrima: A deficiência lipídica torna a lágrima instável (WILLCOX et al., 2017).
Aumento da Evaporação Lacrimal: Sem a proteção oleosa, a lágrima evapora rapidamente, causando atrito entre a lente e a córnea.
Acúmulo de Detritos: Proteínas e lipídios oxidados depositam-se na superfície das lentes, reduzindo a acuidade visual e servindo de substrato para bactérias.
Maior Risco de Intolerância: A inflamação crônica sensibiliza os nervos da superfície ocular.
📌Resultado: Estudos indicam que a disfunção da borda palpebral é a principal responsável pelo abandono do uso de lentes de contato (Contact Lens Dropout), devido ao desconforto progressivo e à redução do tempo de uso diário (NICHOLS et al., 2013).
Classificação da Blefarite: Entenda as Causas
Para um tratamento eficaz e personalizado, é fundamental identificar a origem exata da inflamação. A literatura científica contemporânea, consolidada pelo International Workshop on Meibomian Gland Dysfunction, classifica a blefarite em categorias distintas com base em sua fisiopatologia:
1. Blefarite Estafilocócica e Seborreica
Descrita classicamente por McCulley et al. (1982), a forma Estafilocócica decorre de uma resposta inflamatória exacerbada a antígenos da bactéria Staphylococcus aureus, resultando em fibrina e escamas duras ("colaretes") na base dos cílios.
Já a Seborreica está frequentemente associada à dermatite seborreica generalizada, apresentando escamas gordurosas e amareladas devido à alteração na composição dos lipídios neutros da pele. Ambas as condições provocam coceira persistente, hiperemia (vermelhidão) e podem levar à perda de cílios (madarose).
Esta condição é causada pela proliferação excessiva do ácaro microscópico Demodex folliculorum. O sinal patognomônico, conforme destacado por Liu et al. (2010), são os colarinhos cilíndricos, detritos em forma de túnel que envolvem a base do cílio. Além da inflamação direta, o ácaro atua como vetor para bactérias, intensificando a sensação de "areia nos olhos" e o desconforto crônico.

3. Disfunção da Glândula de Meibômio (DGM)
A Disfunção das Glandulas de Meibomius (DGM) é amplamente reconhecida como a causa mais comum de Olho Seco Evaporativo no mundo. As glândulas de Meibômio são responsáveis por produzir a camada lipídica que impede a evaporação da lágrima. Segundo o consenso global TFOS DEWS II (2017), na DGM ocorre uma obstrução terminal dos ductos, fazendo com que a secreção se torne espessa (semelhante a uma pasta de dente). Isso gera instabilidade lacrimal imediata, afetando severamente a visão e o conforto, especialmente em usuários de lentes de contato.

Sintomas: Como saber se você tem Blefarite?
Se você é usuário de lentes de contato especialmente as esclerais ou gelatinosas de alto desempenho, a atenção aos sinais clínicos deve ser redobrada.
De acordo com o TFOS DEWS II (WOLFFSOHN et al., 2017), os principais sinais de alerta incluem:
Pálpebras eritematosas e edemaciadas: Bordas vermelhas, inchadas ou com aspecto "pesado", indicando inflamação ativa.

Sensação de queimação ou corpo estranho: Frequentemente exacerbada logo após a inserção das lentes, devido à instabilidade do filme lacrimal (NICHOLS et al., 2013).
Oscilação da acuidade visual: Visão embaçada que apresenta melhora momentânea logo após piscar, sinal clássico de quebra precoce do filme lacrimal evaporativo.
Fotofobia: Sensibilidade aumentada à luz decorrente da inflamação da superfície ocular e possível ceratite superficial associada.
Depósitos lipídicos nas Lentes: Acúmulo de gordura ou "sujeira" na superfície da lente, o que reduz a oxigenação da córnea e a qualidade óptica.

Acumulo de gordura na superfície de Lente de Contato Escleral
A Blefarite compromete severamente a homeostase da superfície ocular. Estudos publicados no Journal The Ocular Surface (WILLCOX et al., 2017) demonstram que a presença de detritos inflamatórios e exotoxinas bacterianas altera a tensão superficial da lágrima. Isso aumenta significativamente a adesão bacteriana às Lentes de Contato, elevando o risco de complicações graves, como ceratites infecciosas e infiltrados corneanos .
Se você perceber algum desses sintomas, é importante procurar ajuda profissional. Seu oftalmologista pode ajudar a identificar o tipo de Blefarite que você tem e recomendar o tratamento adequado.
Dicas Essenciais para Conforto com Lentes de Contato e Alívio da Blefarite
Para assegurar o conforto visual ao usar suas lentes de contato, é fundamental controlar a carga inflamatória das pálpebras. Segundo o relatório TFOS DEWS II Management and Therapy (JONES et al., 2017), o tratamento de manutenção é o que previne as exacerbações da Blefarite.
Aqui estão algumas dicas fundamentais:
1. Mantenha uma boa higiene das pálpebras
A limpeza das pálpebras não deve ser feita de forma genérica. Estudos indicam que o uso de produtos específicos (como soluções contendo terpinen-4-ol do óleo de melaleuca para Demodex ou surfactantes suaves) é superior ao uso de shampoos infantis, pois preservam a microbiota saudável e removem o biofilme bacteriano sem agredir a superfície ocular (Zhang et al., 2023).

2. Siga as instruções de limpeza e cuidado com suas Lentes de Contato
A adesão de depósitos lipídicos em usuários de Lentes com Blefarite é maior. Siga estritamente os protocolos de desinfecção:
Sistemas de Peróxido de Hidrogênio: Frequentemente recomendados para casos de Blefarite por sua alta eficácia contra biofilmes.
Descarte Pontual: Respeite o prazo de validade das lentes para evitar a hipóxia corneana e a irritação mecânica exacerbada pela inflamação palpebral (Nichols et al., 2013).

3. Faça consultas regulares com seu Oftalmologista
A Blefarite é uma condição crônica que exige vigilância. Consultas regulares permitem monitorar a integridade das glândulas de Meibômio através da Meibografia. Casos que não respondem à higiene convencional podem se beneficiar de tecnologias como o desbridamento da borda palpebral ou a Luz Pulsada Intensiva (IPL), que reduz as citocinas inflamatórias e melhora a qualidade da lágrima (Dell et al., 2017).
Lembre-se, sua saúde ocular é uma prioridade! Não hesite em entrar em contato com seu médico se estiver enfrentando desconforto persistente ao usar suas lentes de contato. Com o cuidado adequado, você pode desfrutar de uma visão clara e confortável, enquanto usa suas Lentes de Contato favoritas.
EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento da Blefarite
Na Clínica EYECO Oftalmologia, somos referência nacional no diagnóstico e Tratamento da Blefarite. Nosso corpo clínico reúne especialistas reconhecidos internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência em casos complexos de superfície ocular e adaptação de lentes especiais.
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Protocolos baseados em evidências: Estratégias terapêuticas validadas pelos maiores centros de pesquisa do mundo.
Tecnologias modernas: Diagnóstico avançado por imagem e tratamentos com Luz Pulsada de última geração.
Acompanhamento personalizado: Cuidado individualizado para que sua visão nunca seja um obstáculo para sua rotina.
Na Clínica EYECO em São Paulo, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência. Sua saúde ocular é nossa prioridade absoluta.
Responsável: Dra. Yandely Ch.| CRM-SP: 154.787
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