É possível o Ceratocone voltar após o Transplante de Córnea?
- Dra. Yandely Ch

- há 14 minutos
- 4 min de leitura
Essa é uma dúvida muito comum entre pacientes que já passaram por um Transplante de Córnea ou que estão se preparando para esse tratamento. Afinal, Ceratocone pode voltar após Transplante de Córnea?
A resposta, baseada em evidências científicas atuais, é: sim, é possível embora seja raro. Entender por que isso acontece é fundamental para o acompanhamento adequado e para a preservação da visão a longo prazo.
Neste artigo, explicamos detalhadamente os mecanismos biológicos que podem levar à volta do Ceratocone no tecido doado, quais são os sinais de alerta que não podem ser ignorados e, o mais importante: as estratégias essenciais para monitorar e proteger a saúde do seu Transplante de Córnea.

O que é o Ceratocone e por que ele pode exigir Transplante?
O Ceratocone é uma doença ocular bilateral e progressiva que compromete a estrutura da córnea. Ela se caracteriza pelo afinamento acentuado do estroma corneano, o que provoca uma deformação cônica na superfície do olho. Essa alteração biomecânica resulta em:
Astigmatismo irregular severo;
Miopia progressiva;
Deterioração acentuada da qualidade visual.
Nos estágios iniciais do Ceratocone, a prioridade é a estabilização e a correção óptica. As opções variam entre o uso de óculos, adaptação de Lentes de Contato Especiais (esclerais ou rígidas) e o Crosslinking Corneano para fortalecer as fibras de colágeno.
Contudo, quando o Ceratocone atinge estágios avançados apresentando afinamento extremo, cicatrizes (leucomas) ou baixa visão que não responde a correções não invasivas a Ceratoplastia (Transplante de Córnea) é indicada.
Atualmente, as técnicas mais seguras incluem a Ceratoplastia Penetrante (CP) ou a Ceratoplastia Lamelar Anterior Profunda (DALK), que preserva as camadas internas da córnea do paciente, reduzindo riscos de rejeição.
A Recorrência: O Ceratocone pode voltar após o Transplante de Córnea?
Embora o Transplante de Córnea tenha altas taxas de sucesso, a recorrência do ceratocone no enxerto corneano já foi descrita na literatura científica.
Um estudo de longo prazo, publicado no Opthalmology 2006 citado frequentemente na comunidade oftalmológica, identificou uma taxa de recorrência de aproximadamente 11,7% após 25 anos do transplante. Isso indica que o retorno da doença não é imediato; em média, quando ocorre, a ectasia reaparece cerca de duas décadas após o procedimento.
Importante: Conforme destacado em publicações recentes, como no Latin American Journal of Ophthalmology (2023), a recorrência é um evento clinicamente relevante que reforça a necessidade de monitoramento continuo, e não apenas nos primeiros anos pós-cirúrgicos.
Por que o Ceratocone pode retornar no Enxerto?
A fisiopatologia da recorrência ainda não é totalmente compreendida, mas as principais hipóteses incluem:
Ceratocone não detectado na Córnea do doador
Embora os bancos de olhos realizem triagens rigorosas, existe uma pequena possibilidade de o tecido doado possuir alterações microestruturais muito iniciais (subclínicas) que não foram detectadas nos exames de triagem da época, manifestando-se anos depois.
Influência do Tecido do Receptor
Mesmo após o transplante, os queratócitos (células da córnea) do próprio paciente migram para o tecido doado ao longo dos anos. Essas células carregam a "informação genética" do ceratocone e começam a produzir colágeno defeituoso no novo tecido, levando a um novo afinamento. Esse processo pode ocorrer de forma lenta e progressiva.
Doenças sistêmicas associadas
Condições como síndrome de Down ou doenças do tecido conjuntivo permanecem ativas após a cirurgia e podem contribuir para a degeneração progressiva do enxerto.
Coçar os olhos: um fator-chave
Existe uma forte relação entre o ato de esfregar os olhos e o Ceratocone. Estudos mostram que entre 12% e 80% dos pacientes com ceratocone relatam esse hábito. O trauma mecânico repetitivo causa:
Lesão do epitélio corneano
Liberação de citocinas inflamatórias
Alterações biomecânicas e bioquímicas
Afinamento progressivo do estroma
📌 Atenção: Conforme descrito no estudo "Eye Rubbing as an Apparent Cause of Recurrent Keratoconus" (Yeniad et al., 2009), o ato de coçar os olhos pode ser o gatilho central para a volta da doença, inclusive na córnea transplantada.
Sinais de Alerta: Como identificar a recorrência?
A recidiva costuma ser silenciosa no início. O paciente transplantado deve estar atento a mudanças sutis, como:
Mudança Refracional: Aumento progressivo e inesperado do astigmatismo ou miopia (o grau volta a mudar).
Baixa Visual: A visão, antes nítida com óculos, começa a embaçar.
Sinais Clínicos: Afinamento na junção entre o enxerto e a córnea do paciente ou o surgimento de Estrias de Vogt (visíveis apenas no exame médico).
Em alguns casos, pode ser necessário retransplante corneano para restaurar a visão.
A Importância do Acompanhamento Continuo
Mesmo após um transplante bem-sucedido, o paciente com Ceratocone deve manter seguimento Oftalmológico regular por toda a vida. A recorrência é rara, mas possível, e o diagnóstico precoce permite intervenções menos invasivas e melhores resultados visuais.
Medidas de Proteção Fundamentais:
Evitar coçar os olhos.
Tratar alergias oculares rigorosamente.
Realizar exames de topografia corneana periodicamente.
EYECO Oftalmologia: Referência no Tratamento da Ceratocone
Na Clínica EYECO Oftalmologia, somos referência nacional no diagnóstico e tratamento do Ceratocone. Nosso corpo clínico reúne especialistas reconhecidos internacionalmente, com produção científica ativa e ampla experiência no manejo de casos complexos e recidivas pós-transplante.
Nossa equipe é liderada pela Dra. Yandely, Referência Nacional no Diagnóstico e ratamento do Ceratocone na Clínica EYECO em São Paulo/SP.
Oferecemos:
Protocolos baseados em evidências científicas: Segurança clínica fundamentada nos estudos mundiais mais recentes.
Tecnologias modernas: Equipamentos de última geração, como o Pentacam® AXL Wave e OCT de Segmento Anterior, essenciais para monitorar a saúde do enxerto.
Acompanhamento personalizado: Um plano de cuidado continuo desenhado para cada paciente.
Na Clínica EYECO, você será cuidado por quem Ensina, Pesquisa e Pratica Oftalmologia com Excelência.
Responsável: Dra. Yandely Ch.| CRM-SP: 154.787
Faça seu agendamento via WhatsApp agora!








Comentários